“Muitas vezes
cometemos os maiores erros quando temos a ânsia de acertar em tudo...”.
Ela acordou assustada, o fogo crepitava
calmamente perto dela, fogo? Onde estava? Ainda sob as tampa da grande lixeira,
mas quem fez aquela pequena fogueira dentro de uma lata de tinta para aquecê-la,
olhou para os lados e não viu ninguém, mesmo assim agradeceu, baixinho, ela não
sabia agradecer, nunca lhe foi ensinado algo assim. Abaixe a cabeça e nunca
responda! Era o que sempre diziam, ela nunca soube se portar quando alguém lhe
fazia algo bom, ninguém nunca o tinha feito, talvez uma vez, uma velha senhora
que cuidava do jardim, pegando-a desprevenida chorando sob uma árvore a
jardineira acolheu a pobre menina em seus braços, e ela que nunca antes sentiu
um abraço de mãe não entendeu o que estava acontecendo, mas sentiu-se bem.
Infelizmente a senhora morreu pouco depois, sem que as duas tivessem a chance
de se falar mais uma vez, ela nunca conseguiu agradecer, mas por muito tempo
acreditou que aquele gesto tinha lhe salvado de cair no abismo atual mais cedo,
se a fuga acontecesse na época, quando tinha doze anos de idade, ela nem ao menos
teria sobrevivido ao rio no primeiro dia, precisou de mais quatro anos para
aprender a nadar bem o suficiente a ponto de vencer a correnteza.