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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dueto - Obrigada

“Muitas vezes cometemos os maiores erros quando temos a ânsia de acertar em tudo...”.

    Ela acordou assustada, o fogo crepitava calmamente perto dela, fogo? Onde estava? Ainda sob as tampa da grande lixeira, mas quem fez aquela pequena fogueira dentro de uma lata de tinta para aquecê-la, olhou para os lados e não viu ninguém, mesmo assim agradeceu, baixinho, ela não sabia agradecer, nunca lhe foi ensinado algo assim. Abaixe a cabeça e nunca responda! Era o que sempre diziam, ela nunca soube se portar quando alguém lhe fazia algo bom, ninguém nunca o tinha feito, talvez uma vez, uma velha senhora que cuidava do jardim, pegando-a desprevenida chorando sob uma árvore a jardineira acolheu a pobre menina em seus braços, e ela que nunca antes sentiu um abraço de mãe não entendeu o que estava acontecendo, mas sentiu-se bem. Infelizmente a senhora morreu pouco depois, sem que as duas tivessem a chance de se falar mais uma vez, ela nunca conseguiu agradecer, mas por muito tempo acreditou que aquele gesto tinha lhe salvado de cair no abismo atual mais cedo, se a fuga acontecesse na época, quando tinha doze anos de idade, ela nem ao menos teria sobrevivido ao rio no primeiro dia, precisou de mais quatro anos para aprender a nadar bem o suficiente a ponto de vencer a correnteza.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Dueto - 2ª fuga

     A testa latejava de forma insistente, o sangue quente corria pela face até o gosto de ferro chegar aos lábios, por alguns instantes isso foi tudo que ela podia sentir, até conseguir abrir os olhos e ver embaçadas e ao longe as luzes que piscavam e brilhavam intensamente aumento a dor na cabeça, os sons abafados começaram a ficar cada vez mais audíveis até que ela conseguia claramente distinguir as figuras ao seu redor. O caminhão estava afundado na lateral de outro carro, provavelmente a escolha do motorista para não atropela-la e assim salvar sua vida.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dueto -Introdução

  Ela estava correndo pela rua, não sabia o motivo, só corria, de olhos bem abertos, sentindo o ar entrar pela sua garganta e rasgar o peito, algumas vezes olhava pra trás, não para ter certeza se alguém a seguia, ela sabia que essa possibilidade não existia, mas pra olhar bem de onde ela estava saindo. Tudo aquilo estava acabando... Para sempre?
  Quando acordou não sabia onde estava, só sabia que não estava onde deveria estar, nem sabia na verdade onde ela realmente deveria. Só sabia de uma coisa, esse lugar, onde quer que fosse, porque em algum lugar no mundo deveria haver algum espaço pra ela, esse lugar não era a casa de onde havia saído na noite anterior, ela nem conseguia pensar que deixara um passado pra trás, simplesmente não havia nada.