segunda-feira, 26 de março de 2012

O que é imortal...

Clarice Lispector escreveu assim uma vez:
"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja."
E eu não posso deixar de associar esse trecho, que é de minha autora favorita com o meu poema favorito, que diga-se de passagem é a pessoa que tem os mais perfeitos poemas pra mim que é o Vinicius de Morais.

Soneto de Fidelidade
        De tudo ao meu amor serei atento
        Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
        Que mesmo em face do maior encanto
        Dele se encante mais meu pensamento.

        Quero vivê-lo em cada vão momento
        E em seu louvor hei de espalhar meu canto
        E rir meu riso e derramar meu pranto
        Ao seu pesar ou seu contentamento

        E assim, quando mais tarde me procure
        Quem sabe a morte, angústia de quem vive
        Quem sabe a solidão, fim de quem ama

        Eu possa me dizer do amor (que tive):
        Que não seja imortal, posto que é chama
        Mas que seja infinito enquanto dure.

 Não sei se alguém vai concordar comigo, mas acho que esses dois textos se relacionam perfeitamente. Não porque sou tiete de ambos, apesar de ser, mas eu acho realmente belo, poderia pensar ainda em mais um de Fernando Pessoa ou Shakespeare, mas acho que esses dois bastam.

 Não que eu concorde que todo relacionamento acaba, que os sentimentos não duram, mesmo a grande maioria não durando, por "n" motivos, alguns se transformam, outros adormecem e muito simplesmente nunca foram realmente o que achavam que eram. Eu acho que a grande questão não é o fim e sim o que fazemos durante todo o processo, a cada novo dia temos que viver como se ele realmente fosse o último porque ele pode ser, em todos os sentidos possíveis, nunca sabemos quando vamos morrer ou quando aquele sentimento ainda estará lá, às vezes não precisa nem acontecer uma mudança em nós, na outra pessoa (no caso de sentimentos) já basta.

Isso me fez lembrar o primeiro post que eu fiz aqui, que não tem tanto tempo, era a história de uma menina que amava alguém mas que sabia que aquilo não iria durar, deve ser terrível saber que uma das melhores coisas de sua vida não vai durar mesmo antes dela começar, e aquela garota passou por isso. Creio eu, pelo menos pelo que sei foi isso que aconteceu, que quando ela teve a verdadeira chance, aqueles momentos, ela aproveitou cada minuto e queria que cada segundo durasse pra sempre. Afinal se a chama iria se esvair, que o fizesse após o pavio ser totalmente consumido e cada centímetro deste nas memórias dela se transformassem na sua própria e particular eternidade. Porque se a vida é tão efêmera quanto ela parece ser cabe a nós e ninguém mais criar o nosso próprio "para sempre".

Nenhum comentário:

Postar um comentário